Voltando no tempo...

Palácio Paranaguá

Fotógrafo não identificado

Foto-montagem da Praça J. J. Seabra, do início da década de 30, tendo como principal atrativo o Palácio Paranaguá. À direita o prédio da pensão Miled, onde funcionou até o ano passado a Escola Afonso de Carvalho. Mais abaixo o terreno onde foi edificada a Associação Comercial de Ilhéus. (Acervo: Instituto Nossa Senhora da Piedade)

 

 

Sede da Prefeitura Municipal, o antigo prédio ainda conserva as linhas originais. Foi construído sob as ruínas do Colégio dos Jesuítas e teve sua pedra fundamental lançada em janeiro de 1898 pelo Intendente da época Coronel Domingos Adami de Sá, que o inaugurou como sede do Paço Municipal em 22 de dezembro de 1907.

Edificado num dos locais mais privilegiados da cidade, nos seus primeiros anos de uso as salas do térreo eram ocupadas com os juízes da Comarca, com o quartel e a cadeia pública. No andar superior ficavam as dependências da municipalidade, inclusive o Salão Nobre, ricamente decorado. Segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (IPAC), ‘os trabalhos de pintura e decoração foram realizados pelo artista italiano Oreste Sarcelli e os serviços de iluminação pelos irmãos Vita’ .

 

 

 

Foto: FRANCINO

Foto: FRANCINO

Fotografias da praça, com destaque para o Palácio, na época em que o sentido do tráfego era descendo a rua. (Acervo: Nazal E Iratê Badaró)

 

Em virtude de ter sido o Sr. João Lustosa da Cunha Paranaguá o Presidente da Província da Bahia quando da elevação da Vila à Cidade, a sede da municipalidade leva o nome de Palácio Paranaguá, em sua homenagem.

Segundo Ayres de Casal, "Ilhéus, ou S. Jorge, noutro tempo vila considerável, e florescente, tem decaído. Está situada numa planura sobre o lado setentrional da baía do seu nome, entre duas colinas, a de Santo Antônio, sobre a qual teve o segundo assento, e a de Nossa Senhora da Vitória, que fica mais afastada do mar. Além da igreja paroquial dedicada à Invenção da Vera Cruz tem a ermida de S. Sebastião junto à praia, e a de Nossa Senhora da Vitória, sobre a colina a que dá o nome. É abastada de pescado, e dos víveres do país, e tem um chafariz. Os jesuítas tinham aqui um colégio, que serve de casa da câmara, depois de arruinada a igreja. Os seus subúrbios são aprazíveis; seu porto capaz de grandes sumacas, e defendido por vários fortins. Exporta-se daqui farinha, arroz, café, aguardente, madeira, e algum cacau".

 

Foto: FRANCINO

Fotógrafo não identificado

Fotografia da década de 50, com a Praça J. J. Seabra já urbanizada. Detalhe da poda das árvores. (Acervo: José Nazal)

Coronel Domingos Adami de Sá, o construtor. (Acervo: PMI)

 

 

Fernando Sales cita Neuwied em Memórias de Ilhéus: "Vila dos Ilhéus é um dos mais antigos estabelecimentos do litoral do Brasil. A colônia cresceu e tornou-se florescente; mais tarde, porém, sofreu muitas incursões dos tapuias chamados outrora Aimorés, e hoje conhecidos pelo nome de Botocudos. A colônia em seguida foi decaindo cada vez mais, de sorte que já em 1685 estava em extrema decadência, e hoje nenhum vestígio mostra da antiga prosperidade. Seu último sustentáculo desapareceu com a retirada dos jesuítas, pois deles é que provêm todos os monumentos antigos que ainda se conservam. O pesado convento, que é a construção mais importante da vila, foi edificado em 1723; está hoje vazio e em ruínas, pois em alguns pontos não existe mais telhado; os muros são de tijolos e arenito, cuja origem é atestada pelas conchas marinhas existentes de permeio; as numerosas conchas que nesta rocha se encontra denotam-lhe a origem".

No próximo dia 22 de dezembro vindouro, o velho palácio completará 100 anos. Há notícia de que será transformado em museu. Será que a proposta é séria? Com certeza o prédio ainda sobrevive pelo seu uso e ocupação. Tem servido há um século aos ilheenses e é um dos mais fotografados pontos turísticos.

Oxalá os governantes lutem para preservar nosso patrimônio histórico, já tão dilapidado.

 

 

 

 

Fotógrafo não identificado

Uma das mais antigas fotografias do Palácio Paranaguá, com a Praça J. J. Seabra ainda não urbanizada. (Acervo: Lú Nora)

 

 

 

Fonte: MINHA ILHÉUS (2005)

Acervo de fotos: JOSÉ NAZAL, LÚ NORA, INSTITUTO NOSSA SENHORA DA PIEDADE, PREFEITURA MUNICIPAL DE ILHÉUS e IRATÊ BADARÓ.

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Desenvolvimento: José Nazal