Voltando no tempo...

A Capela e a Catedral

A capela foi demolida para construção da nova Sé, autorizada pelo primeiro bispo, Dom Manoel de Paiva e pelo Prefeito Mário Pessoa.

Dom Manoel de Paiva deixou o bispado de Ilhéus sem iniciar a construção da nova catedral. Dom Eduardo Herberhold assumiu a diocese com a firme determinação de executar a obra no local da antiga capela, contrariando a vontade do Intendente, Dr. Eusínio Lavigne, que queria a construção no bairro da Cidade Nova. A cidade havia perdido um prédio colonial, do Século XVIII.

Foto: A. FÂMULA

Foto: J. DIAS

Última missa na Capela de São Sebastião e trasladação das imagens para a Igreja Matriz de São Jorge, antes da demolição. Ano: 1927. (Acervo: Diocese de Ilhéus).

Praça Luiz Vianna, com a Capela de São Sebastião e Bar Vesúvio. Fotografia da Década de 20. (Acervo: Lú Nora).

No período que antecedeu o início da construção houve uma grande disputa entre o poder público municipal e a Igreja. O então prefeito, Dr. Eusinio Lavigne, levantou a hipótese de mudar o local inicialmente desejado. Propusera a construção no novo loteamento da Cidade Nova, de propriedade do Coronel José Gomes do Amaral Pacheco, junto ao qual o prefeito conseguiu a promessa da doação do terreno para a edificação da nova Sé (seria onde hoje está localizado o Hospital São Jorge).

"Esta questão prolongou-se. [João] Amado queria o novo domo na Cidade Nova, e outros opinavam pela sua localização mesmo sobre as ruínas da demolida igreja de São Sebastião, na praça Luiz Viana. Naquela referida data teve início a obra do grandioso edifício, suspensa seis dias depois, para ser reiniciada em 27 de janeiro de 1932" (CAMPOS, 1981, p.445-446).

Foto: FRANCINO

Fotógrafo não identificado

Construção da Catedral de São Sebastião, iniciada em 1931 e concluída em 1967. Fotografia de maio de 1949. (Acervo: José Nazal).

Congresso Eucarístico realizado em 1954, com a Catedral em construção. (Acervo: Diocese de Ilhéus).

A questão tornou-se centro das atenções de toda a cidade, e, além das conversas de rua, houve um verdadeiro duelo de opiniões expressadas no ‘Diário da Tarde’ que, democraticamente publicou as opiniões manifestadas. No final da demanda, após interferência do Governo Estadual, venceu o Bispado e a construção teve início.

A construção da Catedral começou a 24 de maio de 1931.

Após 36 anos de trabalho e delongas, a nova Catedral ficou concluída graças à determinação de Dom Eduardo, aliada à dedicação de Dom João Rezende e Dom Caetano, ao idealismo do Sr. Salomão da Silveira, à abnegação do Padre Antônio Nobre e, acima de tudo, à generosidade do povo de Ilhéus.

Reprodução: JOSÉ NAZAL

Foto: JAIME COSTA

Projeto do arquiteto Prof. Arquimedes Memória (1930), encomendado por Eusínio Lavigne, que não foi aprovado pelo Governo Estadual.

Final da Década de 60, com a Catedral récem inaugurada. Pode-se notar a altura do muro de contenção.

A Catedral de Ilhéus foi inaugurada a 21 de setembro de 1967, com a presença do Núncio Apostólico do Brasil Dom Sebastião Baggio, do Arcebispo de Belo Horizonte Dom João Rezende Costa, do Governador da Bahia Luiz Vianna Filho, do Secretário do Interior e Justiça Heitor Dias e de outras autoridades.

No seu interior, do lado esquerdo, dois túmulos chamam a atenção de quem entra no templo: são os jazigos de Dom Eduardo Herberhold, que foi sepultado a 27 de julho de 1939, quando a Catedral ainda estava em construção, e de Dom Valfredo Tepe, sepultado em 16 de fevereiro de 2003.

A última grande intervenção ocorrida no templo foi a reforma realizada em 1987.

Hoje, a Catedral de São Sebastião é um dos principais pontos de visitação turística da cidade e um dos locais mais fotografados.

 

Fontes: SILVA CAMPOS (1981); JOSÉ NAZAL (2005)

Acervo de fotos: JOSÉ NAZAL, MARIA LUIZA MALTEZ NORA e DIOCESE DE ILHÉUS

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Desenvolvimento: José Nazal