Voltando no tempo...


Foto: FRANCINO

O porto dos frutos de ouro

 

O espaço mais fotografado da cidade de Ilhéus no século XX foi o antigo porto, responsável durante décadas pela exportação de madeira, açúcar e de produtos agrícolas aqui produzidos. A partir do século XX, o cacau foi o principal produto de exportação. O porto foi a porta de entrada da civilização e da cultura através dos produtos importados do velho continente.

Não se tem registro iconográfico de seu uso no período colonial, mas, na enseada do Pontal, onde ele foi construído, navegaram os Governadores Tomé de Souza, Duarte Coelho e Mem de Sá. Este último fez grandes investimentos na Capitania e comandou a chacina dos Tupinambá, conhecida como ‘Batalha dos Nadadores’, registrada pelo Padre Manoel da Nóbrega, que também por aqui navegou, assim como Anchieta e outros religiosos.

Além das visitas ilustres, a enseada do Pontal foi palco da luta entre os colonos e os invasores franceses (1595) e holandeses (1637).

Fotógrafo não identificado

Foto: P. PINILLOS

O primeiro armazém construído, que a partir da década de 50 passou a ser o Armazém 2. Foi demolido para urbanização da área.

Fotografia de 1925, com dois navios atracados na única ponte. Ao fundo a sede da Fazenda Pimenta e os galpões da Estrada de Ferro.

Devido à dificuldade de acesso, a maioria dos portos exigia a utilização dos práticos, que conheciam os bancos de areia, os arrecifes e o canal do porto, já que as manobras só eram possíveis na maré alta. Por conta disso, era comum navios permanecerem am alto mar, aguardando a chegada dos práticos.

Assim, tornou-se fato folclórico e bastante comentado que somente o comandante Rondelli, do navio Marahú, entrava sem prático no porto de Ilhéus. Também comentavam que o Marahú já sabia o caminho, pois o comandante já saía de Salvador embriagado.

Em 15 de janeiro de 1860, o navio Elisabete, que trazia o arqueduque Maximiliano, da Áustria, ficou fundeado ao largo da costa. Uma escuna da armada imperial atracou no porto no dia 18, levando uma carta de recomendação do presidente da Província endereçada ao Juiz de Direito, para que fosse tomadas as providência para recepção do arqueduque, que aqui veio pesquisar a fauna e a flora.

Em 1875, grandes navios à vela e grandes barcaças frequentavam o porto de Ilhéus, trazendo objetos manufaturados, como sabão, cigarros e tecidos, levando madeira e lenha de mangue para o Rio de Janeiro.

Foto: J. DIAS

Foto: J. DIAS

Movimento do porto na década de 40, já com todos os armazéns construídos.

Movimentação de carga e descarga no porto de Ilhéus, com todas as pontes ocupadas.

Em 1881, a canhoneira Grão Pará, da Armada Imperial, que fazia levantamento hidrográfico da costa brasileira, com os engenheiros holandeses Elias Van Ruckevorsel e Vilem Van Avphen, aportou em Ilhéus. Dias depois, naufragou na costa maranhense.

No ano de 1891, o Conselho Municipal solicitou autorização do governo do Estado para contrair um empréstimo junto ao Banco Emissor da Bahia para a construção do cais do porto e da sede da Intendência.

O início da obra ocorreu no período de 1904 a 1908, quando era Intendente Domingos Adami de Sá.

No dia 1º de agosto de 1909, foi franqueado à navegação o canal do Banco, no rio Cachoeira.

Em 1910 foi criada a Agência da Capitania dos Portos do Estado da Bahia, em Ilhéus, que posteriormente passou a ser denominada Delegacia, com jurisdição de Barra do Rio de Contas (hoje Itacaré) até a barra do rio Una.

Em 6 de abril de 1911, o engenheiro Bento Berilo de Oliveira firmou contrato com o Município para a construção do porto, com a obrigação de aterrar a área, construir uma ponte e dois grandes armazéns, ganhando o direito de explorá-lo por 90 anos.

Foto: MENDONÇA

Foto: FRANCINO

Embarcação de grande porte atracada no cais e as lanchas que faziam o transporte de passageiros e mercadorias entre o Centro e o Pontal.

Década de 40, com navios de grande porte atracados em todos as pontes. Período aúreo de exportação de cacau.

Com a excessão da Capital, o porto de Ilhéus era o mais movimentado do Estado. Seu acesso era fácil, pois tinha como ‘baliza’ os morros de Pernambuco e do Unhão.

Além disso, foi frequentado por navios de várias companhias, dentre elas: Lloyd Brasileiro, Companhia de Navegação Bahiana, Lage & Irmão, Espírito Santo-Caravelas e Comércio e Navegação.

Na década de 70, o porto foi desativado devido à inauguração do Porto do Malhado.Ainda restam os velhos pilares das pontes que guardam a sua história.

 

Fontes: ARLÉO BARBOSA (2003); BORGES DE BARROS (1915) e JOSÉ CARLOS VINHÁES (2001)

Acervo de fotos: JOSÉ NAZAL, MARIA LUIZA MALTEZ NORA e IRATÊ BADARÓ

voltar

Desenvolvimento: José Nazal