OPINIÃO DO LEITOR

Ética

Elias Reis

A sociedade ilheense tem convivido passivamente com a falta de princípios e decoro éticos em todas as suas esferas e atividades – empresarial, governamental, educacional, e principalmente política.

Os principais canais de comunicação, a exemplo do Diário de Ilhéus, Rádio Bahiana, Cultura, Santa Cruz, FM Gabriela, Comunitária Conquista, sites O tabuleiro e R2Cpress têm nos últimos anos dedicados especial atenção às inúmeras histórias de corrupção, passiva e ativa, e aos crimes praticados por algumas empresas de terceirização. Órgãos públicos têm tido suas imagens abaladas por licitações duvidosas ou pelas ações antiéticas de seus diretores, que no exercício de suas funções, exigem das empresas vencedoras, comissões como forma de manter as cartas marcadas.

São indústrias fornecedoras e empresas prestadoras de serviços, que vendem seus produtos e/ou serviços ao governo municipal, as quais têm sido denunciadas pela prática de superfaturamento e distribuição de propinas, afora, como já citada, as concorrências viciadas.

São advogados que propagam a ética e a justiça, no entanto, não assinam a carteira de trabalho dos funcionários, não recolhem o FGTS e muito menos pagam as verbas trabalhistas quando os demitem. Tudo isso, sem falar nos maus-exemplos de causídicos que deixam de repassar o dinheiro de causas-ganhas dos seus clientes.

São médicos-clinicos atendendo, receitando, operando e dando uma de anestesista.

São algumas empresas de recrutamento e seleção de profissionais que não possuem qualquer fronteira ética.

São políticos/agentes públicos barganhando, se loteando e jogando a dignidade nos inferno. Com todo o respeito a Lúcifer. Aliás, creio que o Diabo tenha mais moral do que certos políticos. Pelo menos nunca nos prometeu nada.

São cursinhos e escolas que estupram princípios de conduta ética na divulgação e execução dos seus serviços.

São neo-articulistas que plagiam e publicam material de terceiros como se fosse de sua autoria, no afã de se projetarem no mercado, sem sequer mencionar o autor e a própria obra plagiada. Idem, alguns colegas de rádio, que se utilizam do jornal para fazer os seus editoriais e comentários.

É preciso restaurar a dignidade e a ética na condução das coisas. Do contrário, transformaremos nossas empresas e atividades num verdadeiro caos e nossos profissionais em “gangster” – insensíveis e brutos, onde a única e mais forte referencia é o cifrão.

Não há, em nossa opinião, nenhum substituto para a ética. Os honorários profissionais e diplomas pendurados nas paredes não darão um código de valores, se os senhores e senhoras fugirem ao conhecimento do que valorizar; e não lhes dará também um sentido de missão.

O cidadão que não têm qualquer sentido ético-moral, no exercício de suas atividades, tende a cair no ridículo. Por quê? Por que não adianta a utilização do seu conhecimento e experiência. O antiético torna-se um sujeito limitado, e o tempo é o seu próprio inimigo. Saiba que tudo o que você executa deve ser feito com coerência e ética, do seu começo ao seu fim.

É preciso aprimorar substancialmente a imagem e a reputação das empresas, dando-lhes uma linha de comportamento e conduta aceitável, desta maneira fortalecendo seus valores tangíveis e intangíveis.

É preciso fomentar padrões morais elevados na condução dos negócios e valorizar o auto-respeito e a dignidade de seus praticantes.

É preciso que os políticos se ajudem na formação de uma conduta exemplar, responsável.

Que alguns cursinhos e colégios particulares parem de ser mercenários.

Que alguns médicos curem e, deixem de debilitar seus pacientes. Clinico é clinico. Anestesista é anestesista.

Que alguns advogados sejam mais honestos. Afinal, os clientes já podem acompanhar os processos, principalmente trabalhistas, que envolve dinheiro.

A ética é o termômetro para medir a temperatura moral de qualquer cidadão ou organização.

É, pois, imperativo da consciência profissional não apenas a adesão a princípios éticos, mas a sua aplicação no dia-a-dia entre as pessoas, profissionalmente, ou não.

28 de fevereiro de 2007

 

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