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Atendendo
a uma reivindicação de mais de um século,
o Governador Lomanto Júnior entregou aos ilheenses
uma obra decisiva para o sul da Bahia.
A
PONTE DA ESPERANÇA
"Construam-me
uma ponte para o Catete e eu construirei a Ponte
Ilhéus-Pontal." Com esta promessa feita em praça pública,
em 1950, quando visitou pela primeira vez a rica região cacaueira
do sul da Bahia o candidato Getúlio Vargas ali assegurou cerrada
votação para o seu nome. Mas, eleito presidente da República,
não pôde cumpri-la. Outros governantes, antes dele, acenaram aos
ilheenses com a perspectiva da construção da ponte. O primeiro
foi o Imperador D. Pedro II, quando de uma visita a Salvador, onde
recebeu uma comissão de moradores daquela cidade. O último, mais
de um século depois, foi o Governador Lomanto Júnior. Na semana
passada, pondo fim a uma época de atraso e inaugurando outra de
desenvolvimento acelerado, entregou aos habitantes de Ilhéus e de
toda a zona do cacau uma moderna ponte de concreto protendido, com
330 metros de comprimento, construída no prazo recorde de sete
meses pela Construtora Norberto Odebrecht. A obra resultou
de um convênio entre o Departamento de Estradas e Rodagens da
Bahia (DERBA), órgão do Governo estadual, e o Departamento
Nacional de Portos e Vias Navegáveis, do Ministério de Viação
e Obras.
A
inauguração da ponte teve lugar na presença do Presidente
Castelo Branco, do Ministro Juarez Távora e de milhares de
pessoas vindas de todo o estado e de Minas, São Paulo e
Guanabara. Coube ao chefe da nação cortar a fita simbólica com
uma tesoura de ouro oferecida pelos cacauicultores locais. Em
seguida, recebeu o título de Cidadão de Ilhéus que lhe fôra
conferido pela Câmara de Vereadores. O engenheiro Franz Gedeon,
diretor-geral do DERBA, frisou em seu discurso a extraordinária
significação que a ponte tem para a região. Ela integra a
rodovia BR-251, que permitirá a Ilhéus voltar-se, também, para
o Sul e irradiar sua influência pelo hinterland
compreendido entre a estrada BR-101 (Rio-Bahia pela costa) e o
litoral, desde Olivença até Canavieiras, Belmonte e Una, onde se
concentram grandes plantações de seringueira, a nova riqueza
local. Graças à ponte, com a conclusão da BA-1 a cidade de
Ilhéus passará não a ser apenas terminal de estrada, mas
entroncamento rodoviário. Ela facilitará o acesso ao novo porto
do Malhado, cujo primeiro pier foi também inaugurado na
ocasião e por onde se escoará, doravante, a safra cacaueira
baiana, com grande redução nos custos de embarque. Até então,
essa operação era feira em alvarengas de madeira pertencentes a
uma empresa privada, processo lento e oneroso, ou então pelo
porto de Salvador, distante quase 500 quilômetros. A ponte liga,
ainda, o porto e a cidade de Ilhéus ao aeroporto local, que fica
em Pontal, na outra margem do rio Cachoeira. Os custos totais da
obra ascenderam a 1.425.000.000, dos quais o DERBA contribuiu com
1 bilhão e duzentos milhões e o DNPVN com 225 milhões de
cruzeiros. Trata-se da maior ponte já construída pelo Governo do
Estado.
Impressionado
com a vibração popular dos habitantes de Ilhéus, ao receber a
ponte, o Presidente Castelo Branco, ao despedir-se, disse ao
Governador Lomanto Júnior: "Agradeço, comovido, o gesto de
V.Exa., que dividiu comigo a maior festa popular que o meu governo
assistiu."
Manchete,
nº 750, de 03 de setembro de 1966
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