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Igreja Matriz de São
Jorge “Do lado direito da barra demora o morro denominado ‘Pernambuco’
e nele seria conveniente montar-se um farol para facilitar a
entrada dos navios, à noite; e do lado esquerdo demora o Morro do
Unhão, em cujo cume foi edificado o primeiro povoado da Capitania
de Ilhéus, como atestam as ruínas duma Igreja, alicerces de
casas e restos de calçadas de um subterrâneo” (BARROS, 1915,
p.75).
Comemorando os quatrocentos e cinqüenta anos de criação da
Paróquia de São Jorge, no encerramento do Congresso Eucarístico
que aconteceu em 1956, foi colocada uma placa comemorativa alusiva
ao evento, que está afixada até hoje na fachada da Igreja de São
Jorge.
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Confundindo a data de criação da freguesia com a da inauguração
da Igreja, o Poder Público Municipal passou a informar em sua
folheteria turística que o templo foi ‘inaugurado’ em 1556.
Essa informação errônea está publicada, inclusive, na renomada
Enciclopédia Barsa Digital. Outros autores há muitos anos já
trataram desse assunto.
“Não se pode precisar quando foi construída. Século XVI?
Não nos parece viável, muito embora queiram datá-la de 1556.
Preferimos aceitá-la como uma obra dos meados do Século XIX.
Em 1556, D. Pero Fernandes Sardinha criou a terceira Paróquia
do Brasil, na Capitania de São Jorge dos Ilhéus. A Igreja
deveria, muito provavelmente, ter sido construída na ‘ilha’
de São Sebastião, ou seja, no
atual morro do mesmo nome. Daí, talvez, o engano em querer se
atribuir a construção dessa Igreja de São Jorge no ano de
1556”
(BRANDÃO; ROSÁRIO, 1970, p. 172).
“Igreja de São Jorge (Matriz). Fins do Século XVII.
Acha-se localizado na sacristia com pequeno acréscimo introduzido
recentemente em sua estrutura originária - o que compromete a
integridade arquitetônica do velho templo - um pequeno Museu de
Arte Sacra, reunindo acervo de grande valor histórico e artístico”
(SALES, 1981, p. 19).
“No morro de São Sebastião, em 1534, para uns, ou 1536,
para outros, foi erguida uma pequena capela de palha em honra de São
Jorge, que, depois de ruína, foi substituída por um templo
dedicado ao mesmo padroeiro no lugar em que hoje se tem a Igreja
de São Jorge, ao mesmo tempo em que se instalava a Vila de São
Jorge dos Ilhéus. O templo, construído na base do morro, igreja
de São Sebastião, foi demolido no tempo do 1º bispo, para ali
se construir a catedral da diocese. Vinte anos mais tarde,
portanto, em
1556, a
vila era elevada à paróquia, a terceira do Brasil, por D. Pero
Fernandes Sardinha, sob a denominação de Invenção da Santa
Cruz, tendo como seu primeiro vigário, o padre João Afonso
Furtado” (VINHÁES, 2001, p.197).
Em seu livro ‘Memória de Ilhéus’, Fernando
Sales afirma que o museu sacro da Matriz de São Jorge encontra-se
no anexo que “prejudicou a integridade da igreja”. Antes do
autor falecer, conversamos sobre o assunto, na busca de
esclarecimentos, pois o museu fica na antiga sacristia, à
esquerda da nave principal, já que a direita foi demolida, com
anuência do clero, pelo prefeito interino Arthur Lavigne para
construção da Praça Ruy Barbosa. O anexo de que Sales trata foi
edificado na década de 50, por Monsenhor André Costa, e hoje é
utilizado como salão paroquial. Na parte superior, fica o Auditório
Dom Valdrefo Tepe, utilizado pelo Movimento de Cursilhos de
Cristandade de Ilhéus. |